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Próstata

Câncer de próstata sempre precisa de cirurgia?

Não. Para tumores de baixo risco selecionados, a vigilância ativa acompanha a doença de perto e evita tratamentos — e seus efeitos — que talvez nunca fossem necessários.

O que é vigilância ativa

A vigilância ativa é uma estratégia de tratamento, não um abandono do problema. Em vez de operar ou irradiar imediatamente, o tumor é acompanhado com exames programados. O tratamento com intenção curativa é indicado se surgirem sinais de que a doença está progredindo.

Ela existe porque muitos cânceres de próstata de baixo risco crescem muito lentamente — e o tratamento imediato pode trazer efeitos, como perda urinária e disfunção erétil, sem benefício proporcional.

Para quem é indicada

Em geral, para homens com tumor de baixo risco: grau ISUP 1 (Gleason 6) na biópsia, PSA mais baixo e doença restrita à próstata. Em casos selecionados, alguns tumores de risco intermediário favorável também podem ser acompanhados. A decisão considera ainda a idade, a saúde geral e as preferências do paciente.

Como é o acompanhamento

  • PSA periódico, geralmente a cada 3 a 6 meses no início.
  • Exame físico regular.
  • Ressonância magnética da próstata em intervalos definidos.
  • Nova biópsia, em geral cerca de um ano após o diagnóstico e depois conforme a evolução.

Se algum desses exames mostrar progressão, o tratamento — cirurgia ou radioterapia — é discutido com tempo para decidir com calma.

O que a evidência mostra

O estudo britânico ProtecT acompanhou por 15 anos homens com câncer de próstata localizado divididos entre monitoramento, cirurgia e radioterapia. A mortalidade por câncer de próstata foi baixa nos três grupos e sem diferença significativa entre eles; o grupo monitorado teve mais progressão da doença, enquanto os grupos tratados tiveram mais efeitos urinários e sexuais.

Os protocolos atuais de vigilância ativa são mais rigorosos do que o monitoramento usado nesse estudo, com ressonância e biópsias programadas.

Quando o tratamento passa a ser indicado

Quando a biópsia mostra aumento do grau do tumor, a ressonância indica crescimento ou o PSA sobe de forma consistente — ou quando o próprio paciente prefere tratar. Nesse momento, as opções incluem a prostatectomia radical e a radioterapia.

Perguntas frequentes

Vigilância ativa é a mesma coisa que não tratar?

Não. É um acompanhamento estruturado, com exames programados e tratamento curativo indicado se houver progressão.

Posso desistir da vigilância e tratar depois?

Sim. A decisão pode ser revista a qualquer momento, junto com o urologista.

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Referências

  1. Hamdy FC, Donovan JL, Lane JA, et al. Fifteen-Year Outcomes after Monitoring, Surgery, or Radiotherapy for Prostate Cancer. N Engl J Med. 2023;388(17):1547–1558.
  2. European Association of Urology. EAU Guidelines on Prostate Cancer — Active surveillance. uroweb.org
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Dr. Mateus VassaloUrologista · Patos de Minas Agendar
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