O que é câncer de próstata?
O câncer de próstata é o crescimento desordenado de células da próstata, glândula do sistema reprodutor masculino localizada abaixo da bexiga. No Brasil, é o tumor mais frequente entre os homens, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.
O comportamento da doença varia muito. Alguns tumores crescem lentamente e podem nunca causar problemas; outros são mais agressivos e precisam de tratamento. Por isso, o diagnóstico vai além de confirmar o câncer: ele precisa estimar o risco de cada caso.
Sintomas
Nas fases iniciais, o câncer de próstata geralmente não causa sintomas. Quando existem, sintomas urinários — jato fraco, urgência, necessidade de urinar à noite — são, na maioria das vezes, causados pelo aumento benigno da próstata, e não pelo câncer.
Em fases avançadas, podem surgir dor óssea, sangue na urina ou no sêmen e perda de peso. Esses sinais podem ter outras causas, e a avaliação médica ajuda a determinar a origem.
Fatores de risco
- Idade — o risco aumenta principalmente após os 50 anos.
- Histórico familiar — pai ou irmão com câncer de próstata, sobretudo antes dos 60 anos.
- Raça negra — maior incidência e, em média, doença mais agressiva.
- Alterações genéticas hereditárias, como mutações nos genes BRCA.
Rastreamento: quando conversar com o urologista
O rastreamento é a busca do câncer em homens sem sintomas. Ele pode identificar tumores em fase curável, mas também pode levar à detecção de tumores que nunca causariam problemas. Por isso, a decisão deve ser individual e compartilhada.
A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens a partir dos 50 anos procurem o urologista para conversar sobre a avaliação. Para homens negros ou com histórico familiar, essa conversa deve começar aos 45 anos.
PSA
O PSA (antígeno prostático específico) é uma proteína produzida pela próstata e medida em exame de sangue. Ele pode subir no câncer, mas também no aumento benigno da próstata, na prostatite, após infecção urinária, ejaculação recente ou manipulação da próstata.
Um PSA alterado não significa câncer. Ele é um sinal para investigar — a interpretação considera a idade, o volume da próstata, a velocidade de aumento ao longo do tempo e o exame anterior.
Toque retal
O exame de toque permite avaliar consistência, tamanho e presença de nódulos na próstata. Ele complementa o PSA: alguns tumores alteram o toque mesmo com PSA normal. É rápido, e quando indicado é explicado antes de ser feito.
Ressonância magnética
A ressonância magnética multiparamétrica da próstata ajuda a identificar áreas suspeitas e a decidir se a biópsia é necessária. Quando há lesão suspeita, ela orienta a biópsia para a região exata, aumentando a chance de encontrar tumores relevantes.
Biópsia
A biópsia é o único exame que confirma o diagnóstico. Fragmentos da próstata são retirados com agulha, guiados por ultrassom e, quando disponível, pela fusão com as imagens da ressonância. O acesso pode ser pelo reto ou pelo períneo (pele entre o escroto e o ânus), com anestesia.
Os riscos mais comuns são sangue na urina ou no sêmen por alguns dias. Infecção é menos frequente e merece atenção se houver febre.
Grau e classificação de risco
O patologista classifica o tumor pelo escore de Gleason, hoje agrupado em grupos de grau ISUP de 1 a 5. Quanto maior o grupo, mais agressivo tende a ser o tumor.
Grau, PSA e extensão local são combinados para classificar a doença em risco muito baixo, baixo, intermediário (favorável ou desfavorável), alto ou muito alto. Essa classificação orienta o tratamento.
Estadiamento
O estadiamento avalia se a doença está restrita à próstata ou se se espalhou. Conforme o risco, podem ser indicados exames como cintilografia óssea, tomografia ou PET-PSMA. Em tumores de baixo risco, muitas vezes esses exames não são necessários.
Opções de tratamento
Vigilância ativa
Para tumores de baixo risco selecionados, o acompanhamento com PSA, exame, ressonância e biópsias programadas evita ou adia o tratamento — e seus efeitos colaterais — sem comprometer a chance de cura. Tratamento é indicado se houver sinais de progressão.
Cirurgia — prostatectomia radical
Retirada completa da próstata e das vesículas seminais, às vezes com os linfonodos da pelve. Pode ser feita por via aberta, laparoscópica ou robótica. Entenda a prostatectomia radical →
Radioterapia
Radioterapia externa ou braquiterapia, isolada ou associada a bloqueio hormonal temporário, dependendo do risco. É uma alternativa à cirurgia com resultados oncológicos comparáveis em muitos cenários.
Tratamentos para doença avançada
Bloqueio hormonal, novas terapias hormonais, quimioterapia e outras opções, conduzidas em conjunto com a oncologia clínica.
Não existe um tratamento melhor para todos. A escolha depende do risco do tumor, da idade, das outras condições de saúde, da função urinária e sexual antes do tratamento e das preferências do paciente.
Cirurgia robótica no câncer de próstata
A prostatectomia radical é um dos procedimentos em que a cirurgia robótica é mais utilizada. A visão tridimensional ampliada e os instrumentos articulados podem auxiliar o cirurgião na pelve, um espaço estreito. Os resultados dependem principalmente das características do tumor, do paciente e da experiência da equipe.
Como funciona a cirurgia robótica → · Plataforma Versius →
Continência e função sexual
Perda urinária e disfunção erétil são os efeitos mais discutidos após o tratamento. Após a prostatectomia, a maioria dos homens recupera o controle urinário ao longo de semanas a meses; a recuperação da ereção tende a ser mais lenta e depende da função prévia, da idade e da possibilidade de preservar os feixes nervosos.
Fisioterapia pélvica, medicamentos e outras estratégias de reabilitação ajudam nessa recuperação. Esses temas devem ser discutidos com franqueza antes de qualquer decisão.
Seguimento
Após o tratamento, o PSA é dosado periodicamente. Depois da cirurgia, ele deve ficar praticamente indetectável; uma elevação pode indicar recidiva e é avaliada com exames de imagem. O seguimento também acompanha a recuperação urinária e sexual.
Perguntas frequentes
PSA alto significa câncer de próstata?
Não necessariamente. O PSA pode subir por aumento benigno da próstata, inflamação, infecção ou ejaculação recente. Um PSA alterado indica a necessidade de investigar, geralmente com repetição do exame e ressonância.
Câncer de próstata tem cura?
Quando diagnosticado com a doença restrita à próstata, o câncer de próstata tem altas chances de controle com tratamento adequado. Em fases avançadas, o objetivo passa a ser controlar a doença por longo prazo.
Todo câncer de próstata precisa de cirurgia?
Não. Tumores de baixo risco selecionados podem ser acompanhados por vigilância ativa. Para os demais, cirurgia e radioterapia são as principais opções, e a escolha é individual.
A biópsia de próstata espalha o câncer?
Não há evidência de que a biópsia espalhe o câncer de próstata. Ela é o exame que confirma o diagnóstico e define o grau do tumor.
Com que idade devo conversar sobre o exame de próstata?
A partir dos 50 anos, ou dos 45 para homens negros ou com histórico familiar, conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia. A decisão sobre o rastreamento é compartilhada com o urologista.
Depois da cirurgia vou ficar incontinente?
A maioria dos homens recupera o controle urinário ao longo de semanas a meses. O tempo e o grau de recuperação variam e dependem de fatores individuais, que são discutidos antes da cirurgia.
Continue lendo
Referências
- European Association of Urology. EAU–EANM–ESTRO–ESUR–ISUP–SIOG Guidelines on Prostate Cancer. uroweb.org
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de próstata. gov.br/inca
- Sociedade Brasileira de Urologia. Portal da Urologia — câncer de próstata. portaldaurologia.org.br