O que é cirurgia robótica?
A cirurgia robótica é uma forma de cirurgia minimamente invasiva. O procedimento é feito por pequenas incisões, por onde entram uma câmera e instrumentos cirúrgicos montados em braços robóticos.
O robô não opera sozinho. Todos os movimentos são comandados pelo cirurgião, em tempo real, a partir de um console. A plataforma traduz os movimentos das mãos do cirurgião para os instrumentos dentro do corpo do paciente.
Como funciona
De forma geral, um sistema robótico tem três componentes:
- Console do cirurgião — onde o cirurgião visualiza o campo operatório e controla os instrumentos.
- Braços robóticos — posicionados junto ao paciente, seguram a câmera e os instrumentos.
- Sistema de visão — imagem em alta definição e em três dimensões, com ampliação.
Os instrumentos são articulados, com amplitude de movimento semelhante à do punho, o que pode facilitar suturas e dissecções em espaços estreitos, como a pelve. A plataforma também filtra pequenos tremores e permite ajustar a escala dos movimentos.
A equipe cirúrgica permanece junto ao paciente durante todo o procedimento.
Quais cirurgias urológicas podem utilizar robótica?
Entre os procedimentos urológicos que podem ser realizados com auxílio robótico, em pacientes selecionados, estão:
- Prostatectomia radical — no tratamento do câncer de próstata.
- Nefrectomia parcial — retirada do tumor renal preservando o restante do rim.
- Nefrectomia radical e nefroureterectomia.
- Cistectomia — em casos selecionados de câncer de bexiga.
- Pieloplastia e outras cirurgias reconstrutivas do trato urinário.
A técnica é escolhida a partir do procedimento, da anatomia, das cirurgias prévias, das condições clínicas do paciente e da avaliação do cirurgião.
Possíveis vantagens técnicas
A evidência disponível descreve recursos que podem auxiliar o cirurgião:
- visão tridimensional ampliada do campo operatório;
- instrumentos articulados, úteis em espaços restritos;
- filtragem de tremor e escala de movimentos;
- ergonomia para o cirurgião em procedimentos longos.
Como em outras técnicas minimamente invasivas, incisões menores costumam estar associadas a menor sangramento e internação mais curta em comparação à cirurgia aberta — mas os resultados dependem do procedimento, do paciente e da experiência da equipe.
Limitações
- Nem todo paciente ou procedimento é adequado para a abordagem robótica.
- Algumas cirurgias podem precisar ser convertidas para laparoscopia ou cirurgia aberta durante o procedimento, por segurança.
- O tempo de preparo da sala e do posicionamento dos braços faz parte do procedimento.
- O custo e a disponibilidade da plataforma variam entre hospitais e convênios.
Riscos
A cirurgia robótica não elimina os riscos de uma cirurgia. Sangramento, infecção, lesão de órgãos vizinhos, trombose e complicações anestésicas são possíveis, como em qualquer procedimento cirúrgico. Os riscos específicos de cada cirurgia — por exemplo, alterações da continência e da ereção após a prostatectomia — devem ser discutidos em detalhe na consulta.
Recuperação
O tempo de internação e de retorno às atividades varia conforme o procedimento e a evolução de cada paciente. As orientações incluem cuidados com as incisões, retomada gradual da alimentação e da atividade física, uso de sonda quando necessário e consultas de seguimento.
A recuperação funcional — como a continência após a prostatectomia — tem tempo próprio e é acompanhada nas consultas pós-operatórias.
Robótica, laparoscopia e cirurgia aberta
As três técnicas continuam tendo lugar na urologia. Não existe um vencedor universal: a escolha depende das características do caso.
| Técnica | Acesso | Visão e instrumentos |
|---|---|---|
| Aberta | Incisão maior | Visão direta; tato direto do cirurgião |
| Laparoscópica | Pequenas incisões | Câmera em 2D ou 3D; instrumentos retos, controlados diretamente |
| Robótica | Pequenas incisões | Visão 3D ampliada; instrumentos articulados, controlados pelo console |
Quem pode ser candidato?
A indicação é individual. Ela considera o diagnóstico, a extensão da doença, cirurgias abdominais anteriores, condições cardíacas e pulmonares, o índice de massa corporal e a disponibilidade da plataforma. A avaliação pré-operatória define se a abordagem robótica é adequada — ou se outra técnica é a melhor opção para o seu caso.
Perguntas frequentes
O robô opera sozinho?
Não. O robô não toma decisões nem se move por conta própria. Todos os movimentos são comandados pelo cirurgião, em tempo real, a partir do console.
Cirurgia robótica é melhor que a cirurgia convencional?
Depende do procedimento e do paciente. A robótica oferece recursos técnicos que podem auxiliar o cirurgião, mas laparoscopia e cirurgia aberta continuam sendo boas opções em muitas situações. A escolha é feita caso a caso.
Cirurgia robótica elimina os riscos da cirurgia?
Não. Os riscos de qualquer cirurgia — como sangramento, infecção e complicações anestésicas — continuam existindo e são discutidos antes do procedimento.
Quanto tempo dura a recuperação?
Varia conforme o procedimento e a evolução individual. O tempo de internação, de uso de sonda e de retorno às atividades é explicado na consulta pré-operatória.
A cirurgia robótica pode preservar a continência e a função sexual após a prostatectomia?
A preservação dessas funções depende principalmente das características do tumor, da função antes da cirurgia, da idade e da técnica cirúrgica. A plataforma robótica pode auxiliar na dissecção, mas não garante esses resultados.
O que é o Versius?
É uma plataforma de cirurgia robótica modular, com braços independentes e console aberto. Veja a página sobre o Versius.
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Referências
- European Association of Urology. EAU Guidelines — Prostate Cancer; Renal Cell Carcinoma. uroweb.org/guidelines
- Salkowski M, Checcucci E, Chow AK, et al. New multiport robotic surgical systems: a comprehensive literature review of clinical outcomes in urology. Ther Adv Urol. 2023;15:17562872231177781.
- Almeida GL, Busato WFS, Berger AK, et al. First Brazilian Series of Urologic Surgeries Using Versius Robotic Multiport Platform. Int Braz J Urol. 2025;51(6):e20240130. PubMed